História - A Casamba

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A Casamba

CASAMBA, SUA HISTÓRIA E SUAS GLÓRIAS

Comissão de Frente Carnaval 1979

Comissão de Frente de 1979

No início do ano de 1976,
alguns jovens, entre eles Lauro, Bahia e Batistton,
em uma madrugada de sábado, sentados em um banco do
Jardim Público de Rio Claro, na esquina em frente à Toca,
antiga lanchonete da cidade, localizada  onde hoje fica o
estacionamento do Bradesco,resolveram criar um bloco carnavalesco
para desfilar no carnaval daquele ano.
Naquela época era muito comum, grupos de amigos se reunirem para
formar um “bloco de salão” para participar dos bailes dos
clubes Ginástico e Grêmio.


Outro grupo discutia a formação de um destes blocos,
para brincar o carnaval no GG.
Este grupo era liderado por Elisinha Casonato e se reunia na casa do
Mariano, exatamente em frente à Toca.
Amigos comuns aproximaram os grupos e daí surgiu a CASAMBA,
Carnaval, Samba e Batuque.
Na semana seguinte uma parte do pessoal resolveu acampar no Brôa,
represa que fica na vizinha cidade de Itirapina e na madrugada de
sexta-feira saiu em uma velha Kombi de propriedade de Sueli Casonato,
dirigida pelo Cidinho Geniselli, recém agregado ao grupo, convidado
por Mario Noventa, para levar a Kombi.
Na estrada, com o Sol nascendo, surgiu então o tema
“Em busca da Terra do Sol”.  


Os irmãos Marcos, Kal e Gusto Rizzardo se juntaram ao grupo neste
acampamento, assim como Mario Noventa, José Casonato, João Dito
Geniselli e outros.Elisinha Casonato então compôs o primeiro samba
enredo, inesquecível e até hoje cantado em todas as festas
quando se encontram os antigos casambeiros, hoje gentilmente
apelidados “dinossauros”.

“Minha cidade amanheceu, com ar alegre e jovial
E foi bem fácil entender que era manhã de carnaval..."



Versos alegres e melodiosos deram a tônica do primeiro samba enredo.
O bloco cresceu, teve sua inscrição feita para o Desfile de Carnaval
de 1976 e entusiasmou-se a ponto de requerer sua inscrição como
Escola de Samba, preparando-se para tal. As festas que visavam
arrecadação de fundos aconteciam na Sociedade Nipo Brasileira e diz
a lenda que uma mesma garrafa de Wisque chegou a ser rifada na mesma
noite seis vezes ajudando a comprar o primeiro "Treme-Terra" da
bateria. Mas isso tudo faz parte da história...

Os ensaios aconteciam no antigo barracão da fábrica de refrigerantes
do Casonato (Rua 2, esquina com Av. 42) e ao final da noite os
batuqueiros sempre ganhavam duas caixas de maçã ou sodinha para se
refrescar. Enquanto isso, Urias Novaes comandava no barracão a
confecção do primeiro carro alegórico...

O grupo crescia noite a noite com a chegada de Frayzinho, Mio,
Celsinho Casonato, Jarrão, Mimi e Angelinha.

Naquele tempo desfilava-se quatro noites e as notas eram somadas.
Os jurados ficavam em um “palanque” na Rua 3, esquina com Av. 1.
O corso iniciava-se na Rua 6 esquina com Av.3 seguindo em direção ao
centro, contornava o Jardim e descia a Av. 1, terminando na Rua 6 em
frente ao antigo Cine Variedades. O reduto Casambeiro era na Toca.
Quando a Escola passava, a festa era total, com fogos de artifício
e muito confete e serpentina...

As outras escolas de samba recorreram e a CASAMBA foi obrigada a
desfilar como bloco, ganhando o concurso daquele ano e adquirindo o
direito de se tornar então Escola de Samba.
Foi seu primeiro título...

A bateria era comandada por mestre Eurico e naquele ano a CASAMBA
desfilou com exatos 96 figurantes. Um carro alegórico abria o desfile,
com Urias, Angelinha e Tirzah entre os destaques. O grande carnavalesco
Urias, desde o primeiro ano já mostrava suas qualidades. Entre as meninas
que desfilaram no primeiro ano, as primas Elisinha e Sueli Casonato, Lia
Dutra e Marcinha, que depois iriam se tornar Porta Bandeira e Porta
Estandarte por muitos desfiles. Após o desfile todos iam para o Ginástico,
sendo que na terça-feira todos foram fantasiados com as roupas da Escola.
Foi então feita a famosa foto na escada com todo o grupo, mostrada abaixo.



Infelizmente após o carnaval, Elisinha, fundadora e compositora faleceu
em um acidente, deixando todos transtornados e a bandeira da CASAMBA
pela primeira vez homenageou um de seus componentes. No ano seguinte,
já como Escola de Samba "A CASAMBA", sob a presidência de Urias Novaes,
o tema enredo foi “Sonhos de Criança”, com música de Cidinho e Gil.



“Lê lê lê lê lê lê lê
Lê lê lê lê lê lê a
Os sonhos de uma criança
A Casamba vai mostrar “


Entoava o refrão da escola caçulinha, que chegava para marcar presença.
A CASAMBA sempre foi criativa e pioneira. Uma comissão de frente de
lindas mulheres vestidas de fada, registrou a primeira comissão de
frente feminina da história de Rio Claro. Também foi a primeira comissão
de frente fantasiada da história de nossa cidade, pois naquela época o
normal era desfilar com fraque e cartola.

Na terça-feira de carnaval, os integrantes da Escola foram novamente
fantasiados para o Ginástico, para a famosa foto na escada do GG. A
rivalidade que se formava entre as escolas na avenida se estendia
pelos salões dos clubes rioclarenses e o ponto alto era o momento de
cantar o samba enredo das escolas no palco do clube. Ousada,
a Escola pagou caro pelo seu pioneirismo e sua coragem de inovar.
Um dos jurados não entendeu nada e deu uma nota ZERO para a comissão
de frente de lindas mulheres fantasiadas e a CASAMBA acabou ficando
em segundo lugar. Além da tristeza do segundo lugar, na madrugada da
segunda-feira de carnaval mais um componente da escola morre em um
acidente de moto: Jorginho. Amado por todos, fazia parte da bateria
da escola. A CASAMBA entrava de luto em pleno carnaval...

No ano de 1978, sob o comando do presidente João Otavio, a CASAMBA
viria com o tema “A terra que o Rei Midas tocou, o ciclo do ouro no
Brasil”. Com música de Cidinho e Gil novamente, A CASAMBA conquista
o tão cobiçado título. Nasce então a famosa comissão de frente da
escola, que iria reinar soberana por vários carnavais.


“Para tanto ouro simbolizar
Na lenda o Rei Midas
A Casamba foi buscar”

Entoando este refrão em um desfile impecável a CASAMBA sagra-se campeã
do carnaval rioclarense. A bateria tomou conta da avenida sob a batuta
do mestre Edmundo Velasco. Naquele tempo, as rainhas da bateria
chamavam-se “rumbeiras” e a Escola trouxe Ariana Pierone, jovem da
sociedade totalmente coberta de pó dourado à frente dos batuqueiros.
Sucesso absoluto! Também neste ano surge o primeiro diretor de
Harmonia da Escola, "Seu Dega". A CASAMBA participou também do
Carnaval Popular que foi realizado no Mini Ginásio de Esportes,
levando toda Escola na segunda feira de carnaval. No ano seguinte o
presidente foi Mario Noventa tendo como vice Cidinho Geniselli e o
tema enredo escolhido foi: “Num rito de magia da terras de Yourubá,
dançam os filhos de Keto. Candomblé no Brasil”. A música foi de
Cidinho e Gil mais uma vez.



“Acordes do samba anunciam
Em meio a uma emoção contagiante
Casamba alegria de Rio Claro
E Candomblé um misticismo fascinante”

E mais uma vez a CASAMBA se torna campeã do carnaval rioclarense,
conquistando seu primeiro bi-campeonato.
A comissão de frente impecável, belos destaques representando orixás,
como Saranita Haik vestida de Iemanjá, a competente bateria agora já
com Mestre Bahia no comando, muita alegria e muita gente bonita,
fizeram daquele desfile, um dos mais coloridos e belos da história
da Escola. Na frente da bateria dois mitos: Ariana Pieroni e Valéria.
A ala das baianas comandada por Dona Iracema fez história no carnaval
de Rio Claro.



Outro ponto de destaque naquele ano foi a exibição de Cao e Mimi que
por muitos anos formaram o casal de mestre-sala e porta-bandeira da
Escola.Para divulgar a Escola, foi formado o grupo Meninos da CASAMBA,
que se apresentava em Rio Claro e região em clubes, bailes, festas e
lanchonetes. O ponto alto das apresentações era o "SAMQUEVI" (samba,
queijos e vinhos) na Philarmônica Rioclarense e a "Noite de Talentos", no Ginástico.

No ano de 1980 o presidente da escola era João Dito Geniselli
e o tema escolhido foi
“O princípio. A criação do mundo segundo a lenda tupinambá”.
O samba enredo composto por Cesar e Edmundo Velasco contagiou os
integrantes e toda avenida.


“Alô Alô Alô
A CASAMBA conta agora como tudo começou
A lenda mais linda que há
Tupi tupinambá”

A criatividade do carnavalesco Urias, neste ano se somou ao talento do
famoso escultor rioclarense Vilmo Rosado que criou obras primas,
mostradas na avenida como o abre-alas representando a terra, sendo
amparada por dois guerreiros criados pelo escultor. Mais uma vez a
comissão de frente, a bateria show sob o comando dos mestres Bahia e
Salvador, além de lindas mulheres deram a tônica ao desfile. A CASAMBA
também trouxe 14 batuqueiros da Escola de Samba Camisa Verde de São Paulo
e pela primeira vez em Rio Claro, uma escola trazia mulheres tocando
instrumentos de percussão. Novamente a marca de pioneirismo e inovação
da escola.

Foi uma disputa muito acirrada e resultou no empate entre duas escolas,
completando desta forma o primeiro tri-campeonato da CASAMBA.
Havia um troféu transitório em disputa, sendo que a Escola que ganhasse
3 vezes consecutivas ou 5 alternadas teria a sua posse definitiva.

Depois de alguns meses de polêmica, finalmente o Troféu Nelson Letizio
foi entregue à CASAMBA em uma grande festa na chácara Ilha do Bianchini,
sendo que o próprio Sr Nelson, em companhia do prefeito da época,
efetivou a entrega.


Não resta dúvida, a CASAMBA foi a primeira Escola de Rio Claro a se
tornar tri-campeã.A Escola crescia, o nível das fantasias, alegorias
e carros ficava cada vez mais alto e era preciso arrumar outras fontes
de renda para fazer frente aos gastos cada vez maiores. A principal
fonte de renda da escola então eram festas temáticas feitas nos clubes
e discotecas, sendo que ficaram famosas a Festa das Bruxas no Stonage,
a Festa da Mandioca no CPP, a Festa da Batata, entre outras.


A CASAMBA promoveu no Ginásio de Esportes um show com Milionário e
José Rico, um dos maiores expoentes musicais da época, levando mais
de 4.000 pessoas, o maior recorde de público daquele ginásio.
Para atingir o público jovem, a escola promovia competições de
carrinho de rolimã, bicicross e corridas de kart.
Também foi fundado o Moto-clube CASAMBA que promoveu diversas provas
de moto-cross, auto-cross e demolition-car. A Escola chegou a promover
várias provas do campeonato paulista e duas do campeonato brasileiro
de motocross. Sambistas se transformavam em promoters durante o ano...

No ano de 1981, a CASAMBA não participou do desfile oficial,
mas fez uma parceria com o clube Philarmônica e apresentou na avenida o
bloco FICASIM, denominação de Filarmônica, Carnaval e Simpatia
com o tema Tributo a Cartola,
contando a vida do compositor carioca, sendo considerado o melhor
bloco daquele ano. O samba enredo foi de autoria de Cidinho e Vermelho.



“ se as rosas pudessem falar
Em coro cantariam assim (não não vai)
Não vá embora...FICASIM”

Em 1982, sob a presidência de Cidinho Geniselli
a CASAMBA volta à avenida do samba com o tema
“Brasileiro: Profissão: Esperança...”.

Apostando em uma escola criativa e moderna
a CASAMBA lançou naquele ano o estilo livre, leve e solto,
que a acompanhou por muitos anos.
Também foi o ano do “made in Rio Claro”.
Optamos por fazer em nossa cidade todas as fantasias e alegorias,
enquanto outras escolas traziam material pronto e já utilizado em
outros desfiles.

E a CASAMBA ganhou o carnaval!
O samba foi composto por Cidinho e Vermelho.



“Num jogo de búzios fui correndo
E sobre meu destino perguntei
No caminho uma cigana me falou
De um grande amor que terei (amor amor)”

No ano seguinte, ainda sob o comando de Cidinho Geniselli,
a CASAMBA trouxe para à avenida um carnaval luxuoso,
com ricos destaques e carros alegóricos criativos.
Diversos quadripés com lindas e jovens mulheres enfeitaram as alas,
dando mais glamour ao desfile da Escola.
O tema foi Quebra-Cabeça, com música de Cidinho e Vermelho.
A CASAMBA sagrou-se novamente campeã, conseguindo então seu segundo
bi-campeonato.



“Lua oh divina lua
Manda tua luz prateada
Quero ver de onde vem
O alucinante som de batucada (bis)”


Em 1984 a Escola se organizou, atualizou seu Estatuto Social,
criou seu Conselho Deliberativo e deu lugar a uma diretoria mais jovem
comandada por Ivan Tadeu Meyer,
que assumiu também a banda “Meninos da CASAMBA”.
O tema enredo foi “Terra Rica e Generosa”.
Foi o ano da mudança do desfile para a Avenida Rio Claro
e a CASAMBA não foi bem no desfile, ficando apenas em terceiro lugar,
até então a pior classificação de sua história.

O resultado não fez bem a Escola que optou por não desfilar no ano
seguinte, fazendo novamente uma parceria com o clube Philarmônica.
Novamente o FICASIM na avenida em 1985, com um tema ligado a outro
famoso compositor, desta vez paulista, Adoniran Barbosa. Mais um
sucesso do bloco verde e rosa, que ficou novamente com o troféu de
melhor bloco carnavalesco, desta vez já desfilando na Avenida Visconde.


“Quem pode pode não sacode faz escola
E quem não pode se sacode FICASIM”

O samba enredo fazia uma crítica a própria escola
que mais uma vez optou por não desfilar e fez a parceria com a
Philarmônica para manter seus componentes mobilizados e sem se
dispersar.

Aqui finalizamos a primeira parte da vida da CASAMBA,
talvez a mais vitoriosa, com nove anos de história,
um título de melhor bloco, 5 títulos de melhor escola
e 2 títulos de melhor bloco, defendendo as cores da Philarmônica.
Apenas um resultado negativo, o de 1984.

Um tricampeonato e um bicampeonato em nove anos de vida.
Na condição de escola de samba, em sete desfiles, ganhou cinco.
Aproveitamento fantástico!
Foi chamada de “campeoníssima” pela imprensa na época.
Também foi a maior detentora de troféus “OUI DE OURO”
pelo jornalista Marcus Vinicius, que premiava agremiações
e seus componentes nas mais diversas modalidades.

Em breve teremos a continuação desta história.

 
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